Oficina 2 – 2020-1 – UFJF

Nessa página vamos ter um espaço de discussão sobre o texto a seguir:

SANTOS, Liliane.  Ensino de português para estrangeiros e gramática comunicativa: dos enunciados gramaticalmente corretos aos enunciados idiomaticamente adequados. ESTUDOS LINGUÍSTICOS, São Paulo, 40 (2): p. 715-725, mai-ago 2011.

O link, para quem ainda não tem, é:

https://revistas.gel.org.br/estudos-linguisticos/article/view/1333

A cada três dias, vou postar uma das perguntas norteadoras da leitura e espero, como resposta ao meu comentário, as contribuições dos alunos da disciplina. A primeira já está aí.

Leiam o comentário e façam suas contribuições.

6 comentários em “Oficina 2 – 2020-1 – UFJF

  1. A autora nos apresenta diferentes maneiras de se considerar a noção de “língua”. Uso social, valor, competência individual, conjunto de regras formais, objeto de aprendizagem, produto de uma atividade cognitiva.
    Escolha uma dessas possibilidades (sabendo que todas são válidas e têm seu lugar) e escreva um pouco mais sobre ela. Vale a pena usar o Google acadêmico para isso. Lembre-se de fazer citação, se usar alguma coisa de outros autores.

    1. A vertente estruturalista da Linguística tem seu início e sua base na obra “Curso de Linguística Geral”, de Ferdinand de Saussure, publicado em 1916. Nele, Saussure conceitua a Língua como uma faculdade classificatória da Linguagem, que se caracteriza pelo seu cunho social e portanto adaptável. O interesse imediato de Saussure, porém, não jaz na faceta social e portanto mutável e diacrônica da Linguagem, mas no caráter classificatório e sistemático desta, que ele denomina Língua.

      A definição de Língua de Saussure “supõe que eliminemos dela tudo o que lhe seja estranho ao organismo, ao seu sistema (…)” (p. 29), ou seja, a Língua é um sistema de regras e características intrínsecas que têm um funcionamento próprio além daquilo que os indivíduos realizam. Sob a ótica saussureana, a Língua é um fenômeno físico, fisiológico e psíquico. Os processos físicos e fisiológicos que envolvem os aparelhos fonador e auditivo e a transmissão dos sons pelo ar geram uma resposta psíquica no interlocutor, ou seja, ao ouvir uma palavra ou frase, esse interlocutor a processa automaticamente e gera em sua mente uma imagem daquilo que foi dito. Saussure introduz assim a noção de que uma determinada forma escrita ou sequência de sons, que ele denomina por significante, aciona uma determinada ideia no interlocutor, um significado.

      Essas são algumas das características que demonstram que a base do pensamento estruturalista se preocupa com a língua como um sistema de normas passíveis de classificação e denominação.

      REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

      SAUSSURE, F. Curso de linguística geral. 32 ed. São Paulo: Cultrix, 2011, p. 15-29.

  2. Esse modo de se tratar a língua ainda é presente no ensino na medida em que cursos, tanto de língua estrangeira quanto de língua materna, dividem a língua em diversos sistemas com estruturas próprias (algo que é plausível e didático, se feito corretamente) e os estudam sem que se faça explícita a conexão destes com outros sistemas da língua e principalmente com os elementos da cultura e da sociedade que tangem aquela língua (o que não é nem um pouco plausível e simplesmente aliena os alunos do contexto de uso da língua). Daí vem o pavor dos alunos da famigerada ‘aula de gramática’ ou a noção que muitos tem de que não sabem uma determinada língua porque não compreendem a classificação gramatical. Isso não significa de maneira nenhuma dizer que não se deve estudar e sistematizar a gramática ou outro sistema de língua, mas sim que estudá-la como um fim em si mesma cria uma alienação em relação à língua existente no mundo.

  3. A sociolinguística parte da ideia de estudar a língua em uso, ou seja,descreve e analisa
    o sujeito e a língua em sincronia. Essa linha de estudos leva em consideração todos os fatores
    extralinguísticos que constituem o processo de comunicação, também volta um olhar
    minucioso para as variações presentes nesse ato comunicativo. Por conta da mistura entre
    linguística e estudos sociais é considerada macrolinguística.
    Um nome que deve ser destacado é Labov. Com seus estudos, desenvolveu a teoria
    variacionista: como sexo,idade, nível de escolaridade, região e outros fatores exercem
    influência no comportamento linguístico do falante.
    Temos também o conceito de comunidade de fala, que varia de acordo com o teórico.
    Em uma versão simplificada, consideramos um grupo com características semelhantes de fala.
    Bibliografia:
    https://www.researchgate.net/profile/Cristine_Severo/publication/237690131_A_COMUNIDA
    DE_DE_FALA_NA_SOCIOLINGUISTICA_LABOVIANA_ALGUMAS_REFLEXOES/links/0deec52a865
    177af0e000000/A-COMUNIDADE-DE-FALA-NA-SOCIOLINGUeISTICA-LABOVIANA-ALGUMAS-RE
    FLEXOES.pdf

  4. A noção de língua como competência individual é uma das noções que a autora expõe em sua obra e também objeto da Linguística gerativa, conhecida também como língua- I ou subjetiva. Essa definição é encontrada no primeiro capítulo do livro Curso básico de linguística gerativa do professor Eduardo Kenedy.
    Neste caso, corresponde a reunião de habilidades mentais que permitem ao indivíduo, em particular, produzir e compreender inúmeros enunciados. Isto confere ao ser humano a incrível capacidade de já ao nascimento ser capaz de processar a língua externa de seu ambiente com o objetivo de retirar informações para criar, ou pelo menos tentar, sua língua interna.
    Vale ressaltar que essa competência desperta o interesse de muitos linguistas que anseiam descobrir como é a natureza psicológica e neurológica da linguagem humana (…”os linguistas…à mente das pessoas.”)p.34.

    Referência:
    KENEDY,E. Curso básico de linguistica gerativa. São Paulo: Contexto, 2013, p. 29-34.

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